O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursará nesta quinta-feira em um jantar do CPAC (Conservative Political Action Conference) realizado no salão Donald J. Trump, dentro do clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. Ao seu lado na programação estará o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse, filme que passou a ser investigado pela Polícia Federal após a identificação de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento da produção. Flávio está nos Estados Unidos desde o fim de outubro, quando deixou o Brasil após descumprir uma determinação do STF para entregar seus passaportes.

A participação de Flávio Bolsonaro no jantar não é um evento isolado. Desde que chegou aos Estados Unidos, o senador tem buscado sistematicamente contatos com lideranças do movimento conservador americano, e conta com um facilitador de peso: seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive no país há mais de um ano e mantém relações consolidadas com integrantes do entorno trumpista. Eduardo também está entre os participantes anunciados para a conferência do CPAC, o que transforma o evento em uma operação familiar de relações públicas com a direita americana.

Flávio deixou o Brasil no fim de outubro, após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a recusa em reconhecer o resultado. Desde então, permanece na Flórida acompanhado da família. A estratégia de buscar legitimação junto ao trumpismo não é nova para o clã Bolsonaro, mas ganha contornos mais agudos agora que Flávio enfrenta, simultaneamente, investigações no Brasil e o desgaste político de uma derrota que sua família ainda não admitiu publicamente.